O MST fez um protesto hoje contra o Pan no Rio. Tudo bem que há sérios problemas sócio-econômicos neste país, tudo bem que o Rio está em venturas de uma guerra civil, tudo bem que o povo precisa de moradia e de investimentos, mas impedir uma competição oficial aqui resolveria alguma coisa? Não. Quer dizer, poderia piorar a coisa.
O Brasil tem que aprender a fazer geopolítica, a ter diplomacia, a estar incluso no mundo com papel importante nos esportes como forma de alertas também. Um campeonato pode servir para atrair investimentos estrangeiros, para trazer os olhos de fora para a realidade brasileira, para cuidar melhor dos turistas, para fazer parcerias, para abrir portas para outras competições ou mesmo congressos internacionais. Não se resume ao esporte. Simplesmente, não se resume.
Além do mais, o dinheiro gasto com a construção do Estádio João Havelange (lindíssimo, por sinal), com a reforma do Maraca e com a preparação toda da cidade para receber o Pan não seria enviado para construir “casas da Cohab” ou para distribuir ao povo aleatoriamente. As coisas não são tão fáceis assim. Mas um povo consciente precisa também de lazer, cultura, esportes, cidadania, conhecimento. Não adianta viver só de comida e moradia, que isso é apenas sobreviver.
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